Artigo ASID Brasil
Como redefinimos a retenção profissional de pessoas com deficiência
A inclusão plena não termina com a assinatura do contrato; ela começa ali. É isso que a ASID Brasil tem mapeado ao longo dos últimos 2 anos, atuando diretamente com empresas que querem reter seus talentos com deficiência. Ao longo de nossa atuação, percebemos que ainda faltavam indicadores que apresentassem às lideranças o real desenvolvimento profissional dessas pessoas contratadas.
Seria possível mensurar de fato, o desenvolvimento de pessoas com deficiência? Essa pergunta ressoou na ASID Brasil por algum tempo e foi diante de um momento de corrida no parque que a ideia veio.
Percebemos que muitas empresas ainda analisavam a inclusão apenas pelo número de contratações, mas pouco se discutia sobre permanência, desenvolvimento e protagonismo dessas pessoas dentro das organizações. O Potencialize nasce justamente dessa provocação: como transformar inclusão em trajetória sustentável? Nossa metodologia foi construída para olhar além da contratação e criar condições reais para que pessoas com deficiência possam crescer, performar e se desenvolver profissionalmente com autonomia.
Resesenhamos então o processo de retenção e desenvolvimento de talentos, tendo como premissa três pilares: autonomia, protagonismo e desempenho. A partir daí, desenvolvemos então uma Metodologia própria, que hoje chamamos de Potencialize.
A Tecnologia Social Potencialize, entende que o alto turnover após contratação conta com uma série de fatores, muitas vezes sequer mapeados e previstos pelas empresas, são eles:
1. Baixa aderência entre perfil e função
2. Ausência de acompanhamento contínuo
3. Falta de preparo da liderança
4. Baixa integração entre RH, liderança e colaborador
5. Falta de dados sobre desempenho e evolução da pessoa com deficiência
Embora haja avanços nas políticas de inclusão e na conscientização sobre a importância da diversidade, muitos desafios ainda persistem, como preconceito e estigma.
Muitas vezes, as pessoas com deficiência enfrentam preconceitos que as impedem de serem consideradas para determinadas vagas. Isso pode ocorrer devido à falta de informação e compreensão sobre as capacidades e habilidades que as pessoas podem oferecer.
A falta de acessibilidade é outra barreira enfrentada, e aqui a acessibilidade não se refere apenas a instalações físicas, como rampas e banheiros adaptados, mas também envolve a adaptação de tecnologias e processos de trabalho como também questões de atitudinais. É necessário um esforço conjunto entre governo, empresas e sociedade civil para superar os desafios e promover um ambiente de trabalho inclusivo. Isso não apenas beneficia as pessoas com deficiência, mas também enriquece as organizações e a sociedade como um todo.
Dentre tantas ações conjuntas,acima citadas, que podem ser realizadas, o Protagonize está entre elas. O diferencial desta abordagem está no equilíbrio entre o rigor técnico e a sensibilidade humana. A metodologia se divide em algumas fases, que podem incluir: análise de perfil, avaliação e ajustes ,elaboração do plano de ação e acompanhamento.
- Olhar biopsicossocial: O colaborador não é visto apenas por suas competências técnicas, mas em sua totalidade, respeitando sua história e ciclo de relacionamentos.
- Empatia como método: A escuta deve ser isenta de julgamentos, criando um ambiente de confiança onde conteúdos sensíveis e expectativas possam ser discutidos com dignidade.
- Gestão de talentos ocultos: A metodologia não apenas adapta o colaborador à função, mas utiliza ferramentas como o Método de Perfis Lantegi Batuck para alinhar o potencial do indivíduo às metas da organização, revelando talentos que muitas vezes passariam despercebidos pela liderança.
O diferencial da estratégia: escuta qualificada como prioridade
O diagnóstico não começa com fórmulas, mas com a disposição de ouvir. A ASID age com uma escuta isenta de julgamentos, criando um ambiente de segurança e confiança onde sentimentos e experiências valem tanto quanto evidências técnicas.
Problemas que antes pareciam “crônicos” e insolúveis nas empresas são, muitas vezes, apenas fruto de uma “ausência de visibilidade”. O olhar atento da equipe técnica permite identificar talentos ocultos e soluções locais que indicadores superficiais jamais alcançariam.
Por lidar com conteúdos sensíveis e histórias de vida íntimas, a metodologia também prioriza o respeito absoluto à dignidade e à privacidade. O sigilo profissional e a transparência são os fios condutores que garantem que o desenvolvimento profissional não ocorra às custas da exposição do indivíduo.
O plano de ação não é imposto, ele é construído com o colaborador e com a liderança. Dar voz ativa ao indivíduo em seu próprio desenvolvimento gera autonomia e responsabilidade, reforçando que o sucesso do projeto depende da valorização do ser humano em sua trajetória profissional.
Atualmente, a ASID tem acompanhado mais de 130 colaboradores e 100 lideranças em projetos de retenção e desenvolvimento profissional. Entre os principais indicadores observados, destacam-se:
- Taxa de retenção de 90% dos participantes após 4 meses de acompanhamento;
- Redução de 25% no turnover das pessoas acompanhadas em comparação ao cenário inicial das empresas
- 93% das lideranças relataram melhora na relação entre gestor e colaborador após o processo;
- Projetos implementados em empresas de diferentes setores e regiões do Brasil, todos realizados de forma totalmente online.
A inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho é ainda um tema de grande relevância e complexidade. A inclusão plena não acontece apenas quando os indicadores batem a meta, mas quando a cultura organizacional se torna genuinamente conectada às demandas humanas e sociais.
O que a ASID propõe é uma mudança de paradigma. O plano de ação individualizado e o acompanhamento contínuo não são apenas burocracias, mas instrumentos de protagonismo e autonomia. Ao envolver o colaborador em sua própria trajetória de desenvolvimento, a empresa não apenas cumpre uma cota, mas fortalece sua própria cultura organizacional.
Nossa metodologia ensina que a inclusão sustentável exige mais do que boas intenções; exige dados, método e, acima de tudo, uma aproximação genuína com o ser humano. e é a partirdesse movimento de aproximação, que construímos uma sociedade mais justa, onde a diversidade é, de fato, um ativo estratégico e um valor inegociável.
Embora o uso de dados científicos seja o pilar para decisões seguras, é o “olhar humano” que transforma números em impacto real.